
Aluguel, impostos e despesas para manter o negócio funcionando pesam ainda mais quando o movimento de clientes diminui. Diante das dificuldades do comércio no Centro de Campo Grande, o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), defende incentivos fiscais como parte das medidas para recuperar a atividade econômica da região.
A Secretaria Municipal de Fazenda informou que estuda rever os valores utilizados no cálculo do IPTU, com possibilidade de redução na área central.
A revisão ainda está em elaboração. Não se trata de uma nova isenção já disponível aos comerciantes.
Fazenda reconhece necessidade de rever a cobrança
A discussão defendida por Papy encontra respaldo no diagnóstico apresentado pela própria administração municipal sobre o imposto.
Segundo o diretor-executivo da Secretaria Municipal de Fazenda, Ricardo Dias, a revisão deve considerar as diferenças entre as regiões da cidade e as mudanças no mercado imobiliário. A proposta envolve os valores de referência dos imóveis e as alíquotas utilizadas na cobrança.
A Prefeitura prepara uma reforma para 2028, com apresentação prevista à Câmara em 2027. O objetivo anunciado é corrigir distorções e buscar maior equilíbrio entre os contribuintes.
Esse calendário é importante para quem mantém um estabelecimento na região: o estudo não representa redução imediata no carnê nem garantia de aprovação das mudanças.
Aluguel alto e dificuldade para atrair clientes
Os argumentos favoráveis a incentivos não se limitam ao imposto. Em diagnóstico publicado em junho de 2025, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Grande apontou aluguéis elevados em imóveis antigos, dificuldades de estacionamento, problemas de manutenção urbana e menor circulação de consumidores entre os obstáculos enfrentados pelo Centro.
A entidade também defendeu desoneração para novas moradias e estabelecimentos comerciais, além de ações de segurança, limpeza e atendimento à população em situação de vulnerabilidade.
O documento ajuda a explicar por que o debate envolve mais do que a aparência das calçadas ou das fachadas: recuperar a região depende também das condições para ocupar os imóveis, trabalhar e atrair consumidores.
Nesse contexto, Papy argumenta que o custo de empreender na área central precisa ser enfrentado.
“Está muito caro empreender no Centro”, afirmou o presidente da Câmara, ao defender a isenção fiscal como uma alternativa para estimular a região.
Papy também defende moradia e recuperação dos prédios
A proposta de Papy para a região não se resume a reduzir tributos. Em recentes declarações, ele relacionou a recuperação do Centro à revisão da Lei de Uso do Solo e à articulação de diferentes políticas públicas.
Entre as possibilidades defendidas estão incentivos para recuperar imóveis antigos, atrair investimentos e ampliar o uso residencial da área central.
Na avaliação apresentada pelo presidente, o benefício tributário isolado seria insuficiente. A recuperação precisa considerar também a funcionalidade dos prédios, a ocupação dos espaços e as condições para que novas atividades se instalem.
Relatos de comerciantes e moradores reforçam essa dimensão do problema. A atual realidade mostra imóveis com pavimentos superiores desocupados, fachadas deterioradas e dificuldades para custear reformas.
Entre os obstáculos apontados, estão o aluguel, manutenção, estacionamento e entraves para recuperar edificações antigas.
Incentivo fiscal faz parte de uma recuperação mais ampla
A mobilização do comércio continuou em 2026. Em junho, a Promo Centro reuniu 133 lojas em uma ação organizada pela CDL e parceiros para estimular as compras na região.
A iniciativa mostra que há comerciantes em atividade e articulação para atrair consumidores. O desafio discutido nas propostas de Papy e das entidades é criar condições permanentes para essa movimentação, combinando custos mais viáveis, ocupação dos imóveis e melhoria dos serviços urbanos.
Para quem abre as portas todos os dias, a discussão agora depende dos próximos passos: quais incentivos serão propostos, quem poderá recebê-los e como o benefício chegará ao negócio que precisa continuar funcionando.
Com informações de Jornal Midiamax, CDL Campo Grande, Campo Grande News e Fronteira MS.